Entrevista do Eng. José Aser Castillo na revista Pontos de Vista do jornal Público

“O galego olha para o português como um irmão”

05 JUNHO 2012

Responder às necessidades de empresários e profissionais liberais, particularmente de origem galega é o desafio que se coloca quando se fala na AEGAP. Ser ou não associado não é imperativo. Num mercado em que o fator risco deve ser bastante ponderado, a associação apoia todas as empresas a fazerem as suas escolhas com “peso e medida”.

José Aser CastilloJosé Aser, Presidente da Associação de Empresários Galegos em Portugal, integra os catorze empresários, profissionais liberais e quadros superiores de empresas que, em 1994, deram vida à AEGAP. No período em que era Presidente do Centro Galego de Lisboa, começou a ser sentida a necessidade de destacar a área empresarial. “Havia uma mistura grande entre a componente recreativa, cultural e de negócios. Um dia resolvemos tornar independente a associação de empresários e isso acabou por coincidir com a constituição, na Galiza, de uma Federação de Empresários Galegos”, contou José Aser à Revista Pontos de Vista.

Desde a sua constituição, a AEGAP tem sido uma ponte entre os empresários e o mercado. Empresários galegos em Portugal e nos países de língua oficial portuguesa ou empresários portugueses que estejam estabelecidos na área de influência da Galiza veem na AEGAP um aliado no momento de arriscar.

O que é que a associação tem para oferecer a quem a procura, quer seja associado ou não? “Uma forte rede de contactos”, respondeu, convitamente, José Aser. A nível interno e externo, a AEGAP assume-se como “um meio privilegiado de oferta e de procura de oportunidades de negócios”. No momento em que uma empresa procura explorar o mercado galego ou português, a associação recolhe a informação necessária. “Quando alguém vem para um mercado que não conhece, acaba por fazer o que não deve. Nós procuramos que não sejam cometidos erros”, garantiu José Aser.


Portugal e Galiza: o que os une?

“O galego olha para o português como um irmão”. A afirmação de José Aser descreve, na plenitude, a relação que, desde sempre, uniu os dois povos. Mais do que uma relação intrinsecamente histórica, os laços são geográficos e linguísticos. “A língua ajuda muito mas, além disso, para um galego era mais fácil vir para Lisboa do que para Madrid”, afirmou o Presidente da AEGAP. Em Portugal ou na Galiza, o galego ou o português sente-se nitidamente em casa. A proximidade geográfica, à partida, facilita o desenvolvimento das relações. “Portugal olha para a Galiza com olhos diferentes do que olha para o centro de Espanha. O galego olha para o português como um irmão”, defendeu o empresário. A par disso, quando o interesse das entidades políticas é manifestamente favorável, este “casamento” tem tudo para resultar.


“Este país tem futuro”

Apesar de algumas áreas de negócio se encontrarem saturadas, Portugal, ao contrário do que muitos pregam aos sete ventos, “tem futuro”, apelou José Aser. O turismo e as novas tecnologias são dois setores em que vale a pena continuar a apostar. Mas, a par disso, a AEGAP pretende procurar outras oportunidades de negócio, setores que estão esquecidos e que escondem potencialidades. José Aser relembrou um deles. “Na área do mar, Portugal e a Galiza ainda têm muito a dizer. Nós trazemos os empresários para cá, mas o Governo deve facilitar, não demorando anos para conseguir as licenças”, alertou o responsável. Com o objetivo de divulgar novos negócios e procurar alternativas, no plano de atividades da AEGAP está previsto um levantamento de áreas onde haja um défice de empresários e onde valha a pena investir. África é outro desafio. “Para lá chegarmos, temos que estar minimamente suportados para dar aos empresários informações úteis nas suas tomadas de decisões. Para as Américas temos o apoio das Associações da diáspora galega”, garantiu José Aser. Se, para uns, sobreviver à crise é o objetivo, para a AEGAP deve-se ir mais longe. É importante afastar o desânimo que, por vezes, se instala nas empresas em momentos difíceis e perscrutar novos caminhos. Como referiu o empresário: “que ninguém esmoreça face à crise, com muito trabalho, imaginação e criatividade podemos fazer surgir outras oportunidades”.



Fundadores da AEGAP: Asociação de Empresários Galegos em Portugal

  • Manuel Cordo Boullosa
  • Luís Guillermo Castro Fuertes
  • António Castro Gil
  • Amador Piñeiro Nagy Draskovich
  • José Aser Castillo Pereira
  • Álvaro Suarez Cal Contreras
  • Constantino Domingos Costal
  • Acácio Jorge Gonzalez Troncoso
  • José Domingo Vazquez Gonzalez
  • José Manuel Cal Gonçalves
  • Hilda Maria Portela Estevez da Cunha
  • Marisol Gonzalez Veiga Alves Batista
  • José Aser Castillo Lorenzo
  • António Cal Gonçalves